quarta-feira, 6 de junho de 2012


A VALORIZAÇÃO DO EDUCADOR

Cada indivíduo é o sujeito de sua própria educação, cabendo descobrir seu próprio caminho. Nessa descoberta o educador desempenha um papel essencial. Mas nem sempre e nem todo professor é um educador, pois também precisa encontrar seu caminho.
Atualmente, discute-se muito a necessidade de valorização do educador. Valorizar o professor significa criar condições para que ele exerça plenamente sua função de educador, ou seja, aquela pessoa que auxilia o educando a descobrir a si mesmo.

1. CONDIÇÕES DE TRABALHO

No decorrer deste curso muito se falou a respeito das condições necessárias para a consecução dos objetivos educacionais. Para complementar, retomemos algumas dessas condições: recursos materiais, tempo, interação com os alunos, interação com a comunidade e trabalho de equipe.

1.1. RECURSOS MATERIAIS

Embora não constituam o aspecto essencial do trabalho educativo, que resulta de uma relação pessoal educador-educando, os recursos materiais são necessários, já que essas necessidades surgem a partir das atividades escolares.

1.2. TEMPO

O tempo na sala de aula não é o único tempo de educação. Nem, talvez, o mais importante. Contatos espontâneos com os alunos, com seus familiares, com amigos, etc., estudos de aperfeiçoamento, momentos de reflexão, leituras e outras atividades de atualização também exigem tempo. Muitas vezes o ato educativo ocorre fora da sala de aula. A educação não tem hora marcada. Ocorre em qualquer tempo.
Das quarenta horas semanais que deveriam compor o contrato de trabalho do professor, vinte seriam dedicadas às aulas e as outras ficariam para o exercício de trabalhos extraclasse.

1.3. INTERAÇÃO COM OS ALUNOS

É uma decorrência da condição anterior. O professor só poderá interagir com os alunos na medida em que tiver tempo disponível para isso. Esse tempo não pode ser o tempo exclusivo da aula.
A interação ocorrerá espontaneamente quando o educador estiver disponível, sem limites de horário e local.

1.4. INTERAÇÃO COM A COMUNIDADE

Ao entrar para a escola o aluno não deixa de ser o que é em sua comunidade. Pode, no máximo, por força de pressões e controles esconder sua maneira de ser. Mas só haverá educação na medida em que ele puder ser autêntico em qualquer situação, inclusive na escola. Daí a importância, para o educador, da interação com a comunidade.

1.5. TRABALHO DE EQUIPE

É praticamente impossível para o professor realizar isoladamente seu trabalho educativo. Embora a educação resulte de uma relação pessoal educador-educando, ela é sempre um ato social. A convivência social é também um dos objetivos da educação. E como pode o educador educar para a convivência social se ele não pratica essa convivência com seus companheiros de trabalho? A convivência amigável e autêntica, bem como o trabalho realizado em equipe por administradores escolares, professores e todo o pessoal escolar educa mais do que qualquer palavra ou ensino formal.

2. REMUNERAÇÃO CONDÍGNA

A remuneração do trabalho do educador é uma condição necessária para o eficiente exercício profissional. Pode-se observar que, se todas as necessidades do educador, se todas as condições que precisa para educar fossem supridas pela escola, sua remuneração não seria importante em termos de educação. Portanto, a remuneração tem importância decisiva no exercício profissional, tanto no seu próprio aperfeiçoamento, quanto na sua atualização, que dependem de interesses e dedicação pessoais.
Deve-se lembrar que se vive num regime capitalista, que explora os trabalhadores visando ao lucro dos detentores do capital. Na realidade, em tal regime, a educação propriamente dita é relegada a um segundo plano. Nesse sentido, torna-se indispensável a luta do educador pela valorização do seu trabalho e, por uma remuneração condigna, que não deixa de ser, até certo ponto, a expressão dessa valorização.

3. PARTICIPAÇÃO NO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

A luta por Uma remuneração condigna é a luta que deve se inserir numa luta mais ampla de toda a sociedade por condições menos desiguais e mais justas de melhor distribuição da renda nacional e dos bens, para cuja produção os trabalhadores contribuem. A conquista só será possível na medida em que as pessoas conseguirem ativamente participar das decisões nacionais.
Os latifundiários detém a maior parte de terra, os mais ricos ficam com a metade da renda nacional, enquanto isso, uns trabalhadores ganham um salário mínimo, outros até dois salários mínimos e outra parte da classe trabalhadora está desempregada, isso afeta a sobrevivência de dezenas de milhões de brasileiros, que se alimentam de maneira insuficiente. Por tanto, nascem e morrem brasileiros antes de completar um ano. Não existe neutralidade. O educador não deve se manter “neutro”, desse modo, estará colaborando com seus alunos a serem mais participativos, das decisões nacionais.
Os educadores que trabalham em escolas particulares devem procurar o seu sindicato, exigir que ele seja atuante juntamente com outros sindicatos. Se não existe sindicato em sua cidade ou comunidade, procure informar-se e colaborar em sua organização. Desse modo, os educadores devem atuar em associações de professores, centros do professorado, união de diretores, e outros. Se não existirem tais associações, elas precisam ser organizadas. Ao mesmo tempo, os educadores precisam participar na luta pela mudança da lei, para libertar os sindicatos e associações de classe do controle do governo e torná-los cada vez mais autônomos.

4. AUTONOMIA

Dentro do processo de transformação social destacam-se alguns pontos e valores que auxiliam no desenvolvimento da relação educador e aluno. A autonomia é necessária e eficaz a partir do momento que o educador adota uma postura autônoma, visto que ele irá lidar com pessoas livres e independentes, decidir por conta própria e agir coerentemente com suas decisões é fundamental para um educador.
Alguns empecilhos aparecem dentro deste contexto como o fato de existirem restrições e controles sobre o educador que inibem sua autonomia, tornando difícil agir de acordo com sua maneira de pensar e evidenciando um aspecto pejorativo como o autoritarismo que impõe ordens para serem cumpridas e não admite discordâncias.
É necessário que o educador vença o autoritarismo que lhe é imposto não só externo, mas também interno o que revela a formação a qual foi submetido. A chave para conquistar a autonomia está justamente na luta contra o autoritarismo nas duas frentes, com colegas de trabalho e também com o próprio crescimento social e pessoal.

5. AUTORREALIZAÇÃO

Outro aspecto também relevante é autorrealização que vem atrelada ao autoritarismo, porque falar de realização é falar de objetivos, sonhos, aspirações e ideais que as pessoas naturalmente colocam em prática se forem autônomas para isso, visto que sem a mesma o individuo realiza os objetivos e ideais de outros.
O educador adquire o papel de libertador à medida que ele auxilia o educando a descobrir seus caminhos e suas verdades, para isso o educador necessita está constantemente em contato com seus alunos, com os companheiros de trabalho e comunidade e pense e rediscuta questões como suas convicções e ações.

6. AUTOVALORIZAÇÃO

A autovalorização também se apresenta como aliada nesta relação educador-educando. Valorizar-se não pressupõe aparentar alguma coisa e sim conhecer-se e expressar esse conhecimento, sem deixar de levar em consideração a consciência de defeitos e qualidades, erros e acertos e consequentemente estar disposto a mudar e melhorar. Esta metodologia não envolve somente palavras, mas principalmente ações autônomas e autênticas. Muitos valores se fazem presentes com o decorrer da vida e não apenas com palavras, neste sentido que o testemunho da vida integral do professor atrelado à coerência de seus ensinamentos ajuda em um processo educativo verdadeiro.
O conhecimento de si próprio e prática coerente constituem base para valorização pessoal e social, dentro da educação ação e reflexão também são base para processo educativo e sua valorização. Educação e vida estão juntas em um único processo, portanto, uma define a outra: “educação é vida e vida é educação”.
Os valores citados acima estão subentendidos no título VI da LDB que trata dos profissionais da educação, o artigo 67 expõe a questão da valorização destes profissionais e a necessidade de apoio, incentivo, recursos materiais e também psicológicos e cita-se aperfeiçoamento profissional continuado, período dedicado aos estudos e planejamento, progressão funcional e condições adequadas de trabalho para que ocorra um trabalho eficaz e um resultado positivo para ambos os lados: educador e educando.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho evidenciou dois temas importantes, interligados e direcionados aos profissionais da educação, “O educador e a lei” e “A valorização do educador”.
Por meio dos temas, pode-se observar que o título VI da Lei no 9 394/96 estabelece diretrizes diferentes aos profissionais da educação, que evidenciou-se na Lei no 0616 do Estatuto do Magistério do Estado do Amapá.
Nesse sentido, observou-se que conforme o texto da lei foi adequada aos diferentes níveis e modalidades de ensino.
Pode-se observar as dificuldades que o educador enfrenta numa sala de aula no exercício da profissão. Dessa forma, percebeu-se que o aperfeiçoamento e a atualização constante, faz com que o educador adquira novas experiências e novos métodos educacionais, com o propósito de melhorar a forma de ensino e aprendizagem.
De modo que, por meio dos estudos de Pilett (2002), pode-se observar a luta dos profissionais da educação por igualdade salarial, por remuneração condigna para todas as categorias.
Enfim, os temas foram de grande relevância para o aprendizado acadêmico e profissional.

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